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11/02/2007
Trabalho para mestres

São Paulo, 31 de Janeiro de 2007, Gazeta Mercantil - Atuar também como professor exige do profissional dedicação e paixão pela sala de aula. O mundo acadêmico despertou, definitivamente, o interesse dos executivos.

Atuar também como professor exige do profissional dedicação e paixão pela sala de aula. O mundo acadêmico despertou, definitivamente, o interesse dos executivos. De volta à escola para os MBAs, muitos descobriram o interesse também pela cátedra, que passou a ser vista como uma nova e interessante possibilidade de atuação no mercado.

Não é uma transposição fácil: além da experiência no dia-a-dia dos negócios exige-se uma sólida formação acadêmica, alertam os profissionais de ensino. "O executivo que quiser atuar na sala de aula tem de adquirir uma formação sólida", diz Ana Cristina Limongi, da Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo (USP). "Não basta querer ensinar, antes é preciso aprender como se ensina", assegura.

Para o professor Vítor Almeida, coordenador de programas de aperfeiçoamento em varejo do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se a idéia é levar a carreira acadêmica como principal atuação, será necessário deixar a rotina executiva e entrar de cabeça nos estudos. "Para se tornar um doutor, são necessários cerca de cinco anos de estudos com dedicação integral", afirma. "Não acredito que um executivo tenha esta disponibilidade de tempo."

Quem tem interesse em tornar-se professor sem abandonar a carreira de executivo, encontrará oportunidades de dar aulas. Muitos profissionais, inclusive, já atuam dessa forma. Segundo Mariá Giuliese, diretora-executiva da Lens & Minarelli, para os que optam por esse caminho, não falta mercado. "A educação executiva cresce como negócio. E é interessante para as instituições de ensino ter professores que conheçam a realidade de mercado, dialoguem de igual para igual com os alunos e possam compartilhar com eles sua experiência."

O próprio professor Almeida, do Coppead, reconhece a contribuição que os executivos podem dar à sala de aula. "A experiência que podem trazer é enriquecedora, mas ela se limita a cursos específicos, como MBAs", diz.

Instituições como a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) seguem a filosofia "ensina quem faz". A maior parte de seu corpo docente, 80%, exerce ou construiu carreira executiva. Segundo, Flávia Flamínio, diretora de operações de pós-graduação da escola, levar a experiência do mundo dos negócios para a escola foi o que motivou a criação da ESPM há 55 anos.

"Hoje, apenas a prática não basta. A solidez acadêmica passou a ser igualmente necessária", diz. Por isso, a instituição criou a Academia de Professores, que oferece cursos regulares voltados ao ensino da metodologia pedagógica da escola.

José Aníbal Ferreira, executivo de serviços na IBM, com 28 anos de carreira executiva e professor há seis anos, está entre os profissionais de mercado que ministram aula na ESPM. Ele acredita que a vida acadêmica lhe dá uma condição única de acompanhar as intensas e rápidas mudanças de sua área de trabalho. "O contato com diferentes pessoas, de empresas e o 'networking' na sala de professores são muito enriquecedoras", afirma.

Para Mário Grieco, presidente da Bristol-Myers Squibb e coordenador do curso de Gestão em Produtos e Serviços na Indústria Farmacêutica da Business School São Paulo (BSP), a dupla função só dá certo se o executivo, de fato, gostar de dar aula.

"Não adianta tentar ser professor só porque isto soma pontos na carreira. Tem que gostar de dar aulas, de se relacionar com as pessoas", afirma. "A recompensa não é financeira e não vale a pena sacrificar um tempo que seria da família se não houver o prazer de estar entre os jovens, de dividir o conhecimento", justifica.

Antônio Marcos Vargas de Oliveira, descobriu a satisfação de estar no meio acadêmico há seis anos, durante a realização de um MBA e depois de 32 anos de carreira executivo no mercado de seguros. A paixão foi arrebatadora. Tanto que ele optou por dedicar mais tempo à atividade de professor e investir na sua formação. "Em 2003, concluí meu mestrado em administração", conta. A essa altura, ele já havia abandonado a cadeira de executivo e atuava como consultor pela sua própria empresa, a Amom.

Hoje ele cursa doutorado em Ciências Sociais na USP e é professor da FIA no Guarujá. "A remuneração do professor não é adequada pelo seu esforço, mas tem muitas compensações. Tenho prazer em ensinar e ganhei qualidade de vida", reflete.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)


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