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10/07/2007
Veja a matéria que saiu no site da IstoÉ Dinheiro sobre o FGV Executivo Jr.

EDUCAÇÃO HIGH-TECH

Uso de novas tecnologias, da tevê à internet, revoluciona o ensino de administração

De pé, num tablado, o prof. José Carlos Abreu conta os segundos em seu relógio. Em poucos momentos, ele vai começar mais uma aula sobre matemática financeira. Desta vez, porém, será diferente. Engenheiro com mestrado na universidade americana de Colúmbia e doutorado pela PUC do Rio de Janeiro, Abreu está acostumado a falar para turmas de, no máximo, 50 alunos. Seu público, agora, é de 1.200 estudantes, em 18 salas espalhadas pelo País. "É uma experiência nova para mim", diz o professor, que precisa cronometrar cada segundo de sua fala. "Nunca havia dado aulas pela televisão antes."

Coordenador dos cursos de Gestão e Finanças Empresariais da FGV Management, Abreu é um dos pioneiros na nova fronteira da educação. Com um canal exclusivo de televisão e o desenvolvimento de tecnologia de ensino pela internet, a FGV está mudando a forma de ensinar administração no País. A fórmula é combinar a experiência de professores titulares da Fundação, com o acompanhamento pessoal aos alunos. "Usamos a tecnologia para dar acesso ao que há de melhor em educação para um número maior de estudantes", diz Marcos Villela, Ph.D. em Business Administration da Manchester University e coordenador geral dos Programas Executivo Júnior e FGV CEO. " É o que existe de mais novo em tecnologia de ensino."

O programa pela TV faz parte do curso Executivo Júnior, dedicado a recém-formados e estudantes do último ano do curso de administração. Esse curso foi criado ao se analisar o perfil dos alunos dos tradicionais MBAs. "Havia uma lacuna, era preciso ter um curso específico para o público mais jovem", diz Villela. "Estamos abrindo uma nova porta de conhecimento para uma geração que ainda não tem experiência profissional." Lançado há menos de um ano, o Executivo Júnior faz a ponte entre a graduação e os MBAs. Trata-se de um curso mais rápido e barato do que o MBA, para complementar a formação dos jovens.

De um estúdio de TV em Botafogo, um professor titular da FGV dá a linha mestra da aula, durante dez minutos. O programa é recebido em salas nas principais capitais e grandes cidades do interior. Professores selecionados e treinados pela FGV assumem o comando. Detalham as explicações, aplicam exercícios e recolhem dúvidas. Os questionamentos mais comuns são enviados, por internet, para o estúdio, em Botafogo, onde o professor titular dá mais duas seções de explicações, intercaladas pelas intervenções do professor local. "Funciona como uma dupla de malabaristas", diz Abreu. "Jogo a bola para o professor local e ele devolve. Ao final, conseguimos combinar o ensino à distância com a presença de um professor em sala de aula."

Outra iniciativa pioneira em ensino à distância parte da Central de Qualidade e o FGV Online, uma usina de novas idéias em tecnologia para a educação. O centro desenvolveu técnicas próprias para dar aulas pela internet, ganhou prêmios por seus cursos e se encontra num estágio tão avançado que já prepara o lançamento de um MBA por meio eletrônico. "Pode até existir uma equipe tão boa quanto a nossa em ensino a distância no Brasil", diz o prof. Carlos Longo, coordenador do FGV Online. "Mas melhor não há."

Todo o material é preparado para atender o meio eletrônico. Em uma disciplina de um MBA, as aulas são escritas por um professor titular da FGV, com amplo domínio técnico do assunto. Em seguida, a apostila é repassada para 25 consultores de lingüística, encarregados de traduzir o texto para a linguagem específica de cada grupo de alunos. Usa-se ainda desenhos animados, vídeos e jogos para dar aos cursos a dinâmica necessária para um curso à distância. "As pessoas se acostumaram com aulas presenciais", diz a professora Elizabeth Silveira, coordenadora pedagógica do FGV Online, uma das maiores especialistas brasileiras em novas tecnologias em educação. "Todos os nossos cursos são interativos." Por fim, para cada disciplina há um professor "tutor", encarregado de tirar dúvidas dos alunos.

Os cursos eletrônicos viraram um sucesso. Enquanto a média de evasão internacional de cursos pela internet é de 45%, a da FGV Online é de 15%. Além de serem oferecidos como disciplinas complementares de MBAs, também são feitos para empresas. Companhias como Vale do Rio Doce, Caixa Econômica Federal e BNDES encomendam cursos específicos para treinar seu pessoal. O próximo passo é oferecer um MBA inteiro, por meio eletrônico, com dois seminários presenciais. "Essa é a nova fronteira do ensino", diz Longo, "e funciona bem."

Longo está envolvido no projeto desde o início. Em 1999, a FGV encomendou a ele um estudo das novas tecnologias. Conheceu projetos em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, participou de congressos no Brasil e no exterior. Ao final, sua conclusão foi que todas as tecnologias de ensino a distância - como teleconferência e videoconferência - vão convergir para um único meio, com a internet. "Temos que estar preparados para o futuro", diz o coordenador da FGV Online.


Fonte: IstoÉ Dinheiro.


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